Em agosto de 2016, a Lorean nascia com uma proposta clara: desenvolver projetos de marketing e comunicação que impactassem o crescimento de negócios. Naquela época, o Instagram tinha menos de 500 milhões de usuários, o TikTok nem existia no Brasil, e a palavra “algoritmo” era uma curiosidade técnica, não o centro das estratégias de comunicação.
De lá para cá, vimos plataformas nascerem e crescerem, formatos dominarem a atenção e depois perderem espaço, algoritmos mudarem, novas tecnologias alterarem processos inteiros e comportamentos de consumo se transformarem.
A Lorean também mudou. Foram novos clientes, novos segmentos, novos projetos, novas ferramentas e desafios que ampliaram nosso repertório ao longo dessa década.
A pergunta que guia este texto não é “o que mudou?”, mas “o que permanece?”. Porque, depois de 10 anos, talvez o principal aprendizado seja também um dos mais simples: antes de fazer marketing, é preciso saber escutar.
Escutar o negócio, entender seus desafios e objetivos. Escutar as pessoas, compreender comportamentos, necessidades e contextos. As plataformas mudam, as ferramentas evoluem e novas possibilidades surgem o tempo todo, mas nenhuma delas substitui esse entendimento.
Aqui estão 10 aprendizados que construímos ao longo dessa década e que continuam fazendo diferença mesmo quando tudo muda.
1. A atenção pode ser conquistada, mas o relacionamento precisa ser construído.
Durante muito tempo, uma parcela importante do marketing digital foi orientada por uma lógica de audiência: alcançar mais pessoas, aumentar seguidores, gerar impressões e conquistar visibilidade.
Essas métricas continuam importantes. Porém, aprendemos que elas dizem pouco quando analisadas sozinhas. Afinal, uma marca pode alcançar milhões de pessoas e não permanecer na memória de nenhuma delas. Assim, o relacionamento começa justamente depois da atenção.
É quando a marca consegue transformar aquele primeiro contato em reconhecimento, confiança, conversa, recorrência ou pertencimento. E quanto mais disputada fica a atenção, maior tende a ser o valor dessa relação construída ao longo do tempo.
Depois de dez anos, talvez essa seja uma das mudanças de perspectiva mais importantes: a audiência é um ponto de partida, não um patrimônio por si só.
2. Marca se constrói também quando não existe campanha no ar.
Grandes campanhas ajudam a criar momentos importantes para uma marca. Mas sua percepção não nasce apenas delas, sendo construída em diferentes momentos: no anúncio em si, no atendimento, nas respostas e interações com clientes, na identidade visual e na experiência de compra.
Dessa maneira, a construção de marca passa a ser menos episódica e muito mais contínua. Em dez anos trabalhando com empresas de diferentes segmentos, percebemos que consistência não significa repetir a mesma mensagem indefinidamente. Significa permitir que diferentes pontos de contato contem partes coerentes da mesma história.
É essa soma que, com o tempo, transforma a comunicação em percepção.
3. Antes de entender a ferramenta, é preciso entender pessoas e negócios.
Os algoritmos ficaram muito mais sofisticados na última década, assim como as ferramentas de segmentação, análise e automação. Hoje conseguimos identificar comportamentos, criar audiências e acessar uma quantidade de informações que pareceria improvável em 2016.
Mas nenhuma dessas possibilidades elimina uma etapa essencial da estratégia: a escuta. Ou seja, é preciso entender as pessoas, seus comportamentos, necessidades, objeções e contextos. Mas também entender o negócio, seus objetivos, desafios, diferenciais, capacidade e momento de mercado. É do encontro entre essas duas perspectivas que surgem decisões de marketing que realmente fazem sentido.
Uma ferramenta pode mostrar possibilidades. Um algoritmo pode encontrar padrões. Os dados podem revelar comportamentos. Mas saber qual problema precisa ser resolvido vem antes de tudo isso.
4. Estar presente não significa ser percebido.
Nunca foi tão fácil publicar, mas talvez nunca tenha sido tão difícil ser percebido. A multiplicação dos canais e a redução das barreiras de produção criaram um ambiente em que marcas podem ocupar praticamente todos os espaços digitais. Dessa maneira, o resultado é uma quantidade enorme de conteúdo disputando os mesmos segundos de atenção.
Nesse contexto, presença e relevância deixam de ser sinônimos. Ou seja, publicar mais não garante ser lembrado, e estar em mais redes não garante construir uma marca mais forte. Até mesmo aumentar a frequência de publicações não necessariamente aumenta a percepção de valor.
Esse aprendizado inclusive tem orientado uma discussão recente dentro da própria Lorean sobre Slow Content: antes de perguntar quanto uma marca precisa produzir, talvez seja mais importante perguntar o que merece ser produzido.
5. Não existe receita de bolo para fazer uma marca crescer.
Dez anos trabalhando com empresas de diferentes segmentos deixam uma coisa bastante clara: uma estratégia que funcionou muito bem para uma marca pode não fazer sentido para outra.
Cada negócio parte de um contexto diferente, com objetivos, públicos, recursos, desafios, maturidade e momentos distintos. Por isso, a personalização no marketing começa na própria estratégia, antes mesmo de adaptar uma mensagem ou segmentar uma campanha.
Isso também significa saber escolher. Afinal, existe uma quantidade praticamente infinita de plataformas, formatos, tendências e tecnologias disponíveis, enquanto orçamento, tempo e atenção continuam sendo recursos finitos. Assim, uma estratégia realmente personalizada não tenta encaixar o negócio em uma fórmula pronta. Ela entende o cenário, estabelece prioridades e combina os recursos mais adequados para resolver os problemas que aquela empresa realmente tem.
6. Antes de buscar a próxima grande ideia, é preciso arrumar a casa.
O marketing costuma ser atraído pela novidade, seja uma nova plataforma, uma campanha diferente, uma tecnologia promissora ou uma ideia capaz de chamar atenção rapidamente. Mas dez anos de experiência também mostram que, muitas vezes, o que impede uma empresa de avançar está muito mais perto.
Pode estar em um posicionamento pouco claro, em uma jornada que não funciona, em dados que não são acompanhados, em processos desalinhados ou em uma experiência que não corresponde àquilo que a comunicação promete. Ou seja, nenhuma grande ideia resolve sozinha problemas estruturais.
Por isso, antes de adicionar novas camadas à estratégia, é importante entender se a base está preparada para sustentá-las. Muitas vezes, melhorar o que já existe, corrigir gargalos e organizar processos gera mais resultado do que simplesmente buscar a próxima novidade.
7. Confiança demora mais para ser construída do que uma campanha.
O marketing trabalha frequentemente sob a pressão do próximo resultado. Porém, algumas das coisas mais valiosas para uma marca não obedecem à mesma velocidade.
Autoridade, reputação, reconhecimento e confiança são acumulativos. Assim, cada experiência positiva acrescenta alguma coisa, e cada promessa cumprida reforça uma percepção. Talvez por isso relacionamentos de longo prazo tenham tanto valor para nós depois de dez anos.
Eles mostram que crescimento não acontece apenas quando uma nova oportunidade entra. Mas, também, quando existe confiança suficiente para continuar construindo juntos.
8. Comunidade começa quando as pessoas têm motivo para permanecer.
Nos últimos anos, “comunidade” virou uma das palavras mais presentes nas discussões sobre marketing. Porém, criar uma comunidade não é abrir um grupo de WhatsApp, Discord ou qualquer outro canal e esperar que as pessoas conversem.
Comunidades existem quando há alguma coisa compartilhada entre seus integrantes: interesse, identidade, conhecimento, propósito, experiência ou simplesmente a sensação de que aquele espaço oferece algo que não encontrariam da mesma forma em outro lugar.
Essa mudança também altera o papel das marcas: em vez de ocupar permanentemente o centro da conversa, elas podem criar condições para que outras relações aconteçam ao redor delas. A diferença parece pequena, mas é enorme: audiência escuta uma marca, mas a comunidade também conversa entre si.
9. Tecnologia amplia possibilidades. Pessoas continuam dando sentido a elas.
Em dez anos, trabalhamos com tecnologias que sequer estavam disponíveis quando a Lorean começou. Nos próximos dez, certamente acontecerá novamente.
A inteligência artificial talvez seja hoje o exemplo mais evidente dessa transformação. Ela já altera pesquisa, produção, análise, automação, personalização e diversas outras etapas do marketing.
O desafio, porém, não é escolher entre tecnologia e humanidade, mas entender o que cada uma faz melhor. A tecnologia pode ampliar a capacidade, a velocidade e a escala. Entretanto, são as pessoas que acrescentam intenção, julgamento, sensibilidade, repertório cultural e responsabilidade às escolhas.
10. Experiência serve para enfrentar melhor o futuro.
Dez anos poderiam ser usados apenas para contar uma história, mas preferimos usá-los para construir a próxima. Afinal, experiência não significa ter encontrado uma fórmula que continuará funcionando indefinidamente. Se existe algo que uma década de marketing deixa evidente é justamente o contrário: qualquer fórmula pode perder validade.
Experiência de verdade é reconhecer padrões sem ficar preso a eles. É entender melhor as consequências de uma escolha. É acumular referências, erros, acertos e perguntas suficientes para tomar decisões melhores quando aparece algo que nunca vimos antes.
Em 2016, não sabíamos como seria o marketing de 2026. Hoje, também não sabemos exatamente como será em 2036.
E tudo bem.
Porque o maior aprendizado desses dez anos talvez seja justamente este: estar preparado para o futuro não significa conseguir prevê-lo. Significa construir repertório suficiente para evoluir quando ele chegar.
Os próximos 10 começam agora
A Lorean chega aos 10 anos carregando tudo o que essa trajetória construiu: projetos, clientes, resultados, relações, decisões, erros, acertos e uma quantidade enorme de aprendizado.
Celebrar essa história importa, mas ela representa apenas uma parte do que significa completar uma década. Afinal, cada experiência acumulada amplia nossa capacidade de olhar para o que ainda não aconteceu, de questionar tendências antes de segui-las e de entender que crescimento não nasce apenas de fazer mais, mas de fazer escolhas melhores.
Foi assim que chegamos até aqui, e é dessa experiência que queremos partir para os próximos dez.
Lorean 10 anos. O futuro nasce da experiência.
Se o futuro da sua marca também está exigindo novas escolhas, novos caminhos ou uma nova forma de olhar para o marketing, vamos conversar.
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FAQ – O que aprendemos em 10 anos de mercado
- Por que o volume de publicações perdeu a eficiência no marketing atual?
Porque o ambiente digital atingiu um ponto de saturação de conteúdo, gerando sobrecarga cognitiva no público. O cérebro humano passa a ignorar estímulos repetitivos. Hoje, estratégias focadas em profundidade e intenção geram maior retenção de marca do que a alta frequência sem propósito.
- Como usar as redes sociais sem ficar refém das mudanças de algoritmo?
A melhor abordagem é utilizar os perfis sociais (ativos alugados) como canais de aquisição de tráfego, criando mecânicas que direcionem o público para canais sob o controle direto da sua empresa (ativos próprios), como bases de e-mail, CRM e canais de relacionamento direto.
- Qual o papel da inteligência artificial na construção de marcas?
A inteligência artificial automatiza processos operacionais e otimiza análises de dados, mas eleva a exigência por criatividade humanizada e contexto. Em um mercado onde a produção em massa de conteúdo genérico se tornou fácil, a profundidade estratégica e a autenticidade tornam-se os principais diferenciais competitivos.